segunda-feira, outubro 04, 2010

As rosas de ouro


Eram rosas tão belas. Eram amarelas. Elas eram de ouro.
"Oh! Rosas de ouro!" Exclamavam as pessoas que as viam no jardim da senhora Margory que todos os dias as regava com grande cuidado. Ninguém as via senão do lado de fora da casa. Não era medo de que fossem roubadas, acho, mas a senhora Margory não deixava nem os próprios parentes chegarem perto. Nem mesmo pisarem na terra do jardim.
Certa vez, uma garotinha tão pequena, franzina e magricela parou diante do jardim e curiosa perguntou a senhora Margory:
- Tão lindas essas rosas! Qual o segredo delas serem de ouro?
A senhora Margory de um jeito meigo e doce desviando os olhos das rosas para a menininha disse:
- A verdade!
- A verdade?
- Sim, enquanto as pessoas que pisam na terra desse jardim forem sinceras, as rosas permanecerão lindas, vivas e de ouro.
A menina esboçando uma expressão um tanto confusa, virou-se e continuou o seu caminho deixando a senhora Margory regando as rosas enquanto cantava uma canção de ninar. Talvez fosse para as rosas. Não sei. Só sei que cantou até as rosas adormecerem. Mas você deve estar se perguntando: "Como as rosas adormecem?" É bem simples! Elas ao dormirem exalam um perfume fazendo tudo o que está a sua volta ficar tranquilo e feliz. E era assim que a senhora Masrgory se sentia.
Em um dia de céu ensolarado com nuvens parecendo pedaços de sonhos no céu, a senhora Margory recebeu uma visita. Era uma visita feliz. Seu filho Rob havia vindo lhe visitar do outro lado do mundo. Dum lugar onde as pessoas não são tão boas nem tão ruins. São só pessoas. Ela preparou um belo bolo cheios de rosa vermelhas ornamentando aquela bela visão que logo iria alimentar a fome de alguém.
- Mãe! Que saudade! Estava ansioso para vê-la.
- Oh, filho! Bem vindo! Sua visita me traz imensa felicidade. Sente-se e me conte como anda sua vida.
E ficaram a tarde inteira contando histórias, segredos, saudades; até que por curiosidade Rob pergunta-lhe sobre as suas amadas rosas. Ele dizia que não poderia voltar para casa sem ao menos vê-las de perto, ou até mesmo tocá-las. A senhora Margory conhecia bem o filho e achava que devia dar esse presente a ele ao menos uma vez. E foram. Foram em direção do jardim. Chegando perto puderam sentir um suave perfume exalado das rosas. Era tão bom de sentir. Rob sentia uma boa sensação de paz e felicidade. Era tão bom estar ali. Foi chegando perto e vendo aquelas rosas ficou maravilhado. Eram mais belas ainda de perto. Na verdade, pensou que em sua vida nunca tinha visto nada tão belo como aquelas rosas. Ele as desejava. Ele já as havia desejado mesmo antes de entrar no jardim. O único motivo de visitar sua mãe eram as rosas. Não para vê-las apenas, mas para raptá-las. Ele havia mentido. As rosas aos poucos foram murchando, perdendo a cor e o brilho; o perfume que exalavam não era tão presente como antes. A senhora Margory sem entender começou a cantar para ver se elas tornavam a ter o explendor que tinham, mas parecia que cada vez mais elas morriam. E morreram. De amarelas ficaram cinzas, murchas, sem perfume algum.
Com grande tristeza a senhora Margory passou a vida sem receber ninguém mais a sua casa. As rosas permanceram no lugar sem vida. Ela chorava dia e noite e certas vezes até voltava para perto das rosas para cantar uma canção na esperança de vê-las voltar a vida. Mas não voltavam. Ela morreu. Morreu com tristeza. Foi sepultada ali mesmo, na terra do jardim em baixo das rosas. Vedaram o lugar para que ninguém entrasse. Era uma forma de expor respeito pelo sentimento da senhora.
Certa vez, numa manhã nublada, com grande chuva caindo do céu, as rosas começaram a voltar a vida. As cores, o ouro, o perfume. Tudo era ainda mais belo do que antes. O vento balançava as rosas e levavam o perfume que exavam para toda a cidade. E toda a cidade se sentia em paz e feliz. Não eram apenas as rosas, mas elas e a senhora Margory que as havia amado tanto. Mesmo morrendo, deixou para todos aquilo que cultivou. As rosas de ouro. A paz. A felicidade. Pois é tudo o que a verdade nos traz. Paz e felicidade.

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