segunda-feira, março 12, 2012

Pulo


Ela percebeu que precisava de um tempo pra pensar em tudo. Ela sabia que não era uma atitude boa a ser tomada. Não para os outros, mas ela pensava nela. Só nela. Olhava pra baixo medindo a altura enquanto o silêncio ecoava por entre as ruas da cidade. Não havia carros, nem pessoas; só havia um gato lá em baixo perto de um latão de lixo. Ele olhava para cima como se visse e sentisse seus pensamentos. Lambia uma das patas e fazia de conta que não ligava para a senhorita que estava no alto do grande prédio. Era um prédio bonito, espelhado. Talvez ela quisesse se ver naqueles espelhos; se ver flutuando; na verdade caindo. Olhou para o céu dessa vez e se erguia sentindo o vento que balançava os seus cabelos enquanto de olhos fechados ela tentava encontrar um motivo, apenas um que a fizesse voltar e descer as escadas de volta para onde ela queria sair agora. Uma lágrima. Foi tudo o que achou. Ela escoava entre o rosto dela que era bonita. A lágrima descia e parou quando se distribuiu por completo em sua pele. Deu o ultimo suspiro. Queria sentir bem o ar entrar em seus pulmões pela ultima vez. Voava. Caía. Caía rapidamente enquanto a figura do gato se aproximava a cada segundo. A ultima imagem que viu, o ultimo som que ouviu foi o miado do gato e depois tudo ficou escuro.
Os olhos foram se abrindo lentamente e a figura embaçada do teto agora retomava a sua verdadeira aparência. Virou para o outro lado da cama vendo uma figura simpática e apática que miava. Um gato. O mesmo que estava ao lado do latão de lixo e que agora pedia por mais um pouco de leite na tigela. "Foi apenas um sonho..." pensou. Colocou o leite no pote e depois voltou a dormir.


3 comentários:

Hertinha disse...

Que susto! pensei mal da garota, achei que era covarde, mas foi apenas um sonho, ou pesadelo... sei lá? Muitas vezes também tenho sonhos desses que a gente vai caindo e a sensação é horrível. Parabéns pelo texto....abraço!

Lucy Maltez disse...

tenho tido esses pesadelos.
As vezes duram dias..

Dilly Monnete' disse...

Ainda bem que foi só um sonho,
porque já dizia Raul Seixas: "tente! e não diga que a vitória está perdida, se é de batalhas que se vive a vida... tente outra vez!"

enfim, texto lindo, envolvente, avassalador.
Adorei *-*
Seguindo-te agora, borboletra (: