sexta-feira, janeiro 18, 2013

De Paris, avec amour

Julieta saiu de casa segurando apenas um guarda-chuva. O tempo estava nublado e ela não queria ter a chance de se molhar; até porque se trocou tão rápido que colocou o vestido mais fino e leve.
Ela corria, não queria perder a hora. Seu rosto estava preocupado e o seu coração palpitava junto com  a sua respiração acelerada. 
"Preciso correr! Preciso chegar!" Ela pensava. 
Aos poucos seus passos foram desacelerando, seus cabelos pausavam suavemente sobre o ar e seu peito subiu e desceu num profundo suspiro. Os olhos estavam fitos; deu uma leve mordida nos lábios como quem pensa: "É agora!"
Trovejou. Ela olhou para cima procurando os primeiros respingos da chuva e nada caía. Seguiu na direção de uma biblioteca e ficou olhando para dentro dela até que uma sombra apareceu. Ela arregalou os olhos atentos. Não piscavam, não se distraiam e então ele apareceu. Um rapaz alto, magro, andar meio desajeitado com as mãos ocupadas por um livro que entregava á uma senhora. 
- Boa leitura! Ele disse num tom de voz calmo e tranquilo.
- Obrigado, Romeu! Disse a senhora carregando consigo o livro.
Julieta não continha a ansiedade. Ela apertava e passava os dedos sobe a superfície de um relicário que levava no pescoço; um presente que havia ganhado quando criança por alguém que vivia passeando sobre seus pensamentos. Seus passos foram tomando uma direção. Entrou na biblioteca e pegou o primeiro livro que os seus olhos puderam ver. Não sabia nem sobre do que se tratava. Apenas o levou para o rapaz.
- Vai levar este? Perguntou ele enquanto os primeiros pingos de chuva começavam a cair do lado de fora.
Um nó formou na garganta de Julieta e o que ela apenas conseguia fazer era balançar a cabeça confirmando.
Ele olhou para o livro e deu um leve sorriso.
- Fala francês? Disse ele.
- O que? Ela respondeu sem entender o porquê da pergunta.
- Você fala francês? Disse ele novamente mostrando a capa do livro que ela estava levando.
"Les petites choses" Estava escrito.
- Oh, não, não. Estou começando a aprender. Disse tentando disfarçar qualquer coisa que ela não quisesse que ele percebesse.
- E o que já aprendeu a falar?
- Je t'aime! Disse ela, com o coração tão acelerado que se ele a abraçasse, sentiria o pulsar.
- Hum, é bom de ouvir. O que significa? Falou ele como se não soubesse o significado.
- Eu te amo! Significa "Eu te amo!" disse tropeçando nas palavras.
Ele sorriu. Entregou o livro e ela foi saindo sem perceber que havia deixado algo. Enquanto ela ia indo em passos curtos sendo regada pela chuva que caia, ele se deparava com um objeto sob a mesa. Um colar com um coração na ponta. Era tão familiar aquele relicário que não hesitou em abri-lo. Seus olhos abriram-se mais e sua respiração deu uma leve parada. Dentro do relicário havia um tecido bordado e o que estava escrito fez Romeu sair correndo atrás de Julieta.
Ele a viu distante, andando com o vestido molhado, grudado no corpo mostrando suas belas curvas. Ele correu. Subitamente Julieta sentiu uma mão tocar a sua e virou-se para ver quem era. Era Romeu, encharcado com a água da chuva olhando para Julieta com os olhos mais cheios de ternura. Foi se aproximando do rosto dela até que seus lábios se encostaram aos lábios dela enquanto a chuva caía, escorria dividida entre dois rostos, dois corpos próximos. Eles se beijavam sem notar a chuva ou qualquer coisa que estivesse ao redor; e ele segurava em uma de suas mãos o relicário que tinha escrito no tecido bordado:

"Romeu e Julieta 
Avec amour"

7 comentários:

Lucas Adonai disse...

Muito legal!

Fernanda Soares disse...

Que texto maravilhoso!! Acho tão fofo Romeu e Julieta *-*
Nossa, muito bem escrito! Daria uma excelente história, já pensou nisso? :D
Me prendeu do início ao fim.
Parabéns!!
Beeijos

http://mardeaquarela.blogspot.com.br/

Victor Lourenço disse...

O texto é muito bom, mas a leitura fica um pouco cansativa. Seria melhor dividi-lo.

blogger disse...

Interessante.

Vidrada em Livros disse...

Adorei o texto, muito bem feito, apesar de ser pouco grande, ele envolve o leitor. Parabéns pelo blog.

Sarah Sanches disse...

Que lindo. Singelo.
Muito bem escrito, parece retirado de um livro, um trecho de um livro...

Parabens !

Rafael Bela disse...

parabéns pelo blog!