quarta-feira, maio 29, 2013

Mara


Aparentemente ela não tinha nada, não sentia nada e nem precisava de nada; mas com certeza pensava e isso era alguma coisa. Sorriu um sorriso de plástico feito na China enquanto as amigas passavam e diziam:
- Você está tão bonita hoje, Mara! 
Ela estava sentada, segurando um livro na mão. Com certeza não queria lê-lo. Deu um leve suspiro e olhou para a rua. Na verdade, observava cada detalhe, cada carro, cada poça, cada folha presa ou caída no chão, cada som ou ruído feito por bichos, gente ou máquina. Suspirou de novo. 
No outro lado da rua uma porta se abriu na casa amarela simpática. "Casa bonita" pensava. Dela saíram quatro pessoas: Um homem alto, uma mulher de cabelos pretos e duas crianças; um menino com um carrinho na mão e uma menina com o cabelinho cheio de brilho. Ficou observando, quase sem piscar, quase sem respirar. Eles sorriam enquanto entravam no carro para irem aonde ela esteve poucas vezes. Fechou os olhos por alguns segundos e quando os abriu viu um homem e uma mulher vindo em sua direção. Eles eram as pessoas mais lindas que ela já tinha visto e tinham traços familiares. Talvez o nariz, ou os olhos e até mesmo os cabelos. Eles vinham com um sorriso largo e a medida que se aproximaram disseram:
- Vamos filha! Vamos pra casa! 
Ao ouvir isso, teve uma leve estalada na mente e quando viu, não tinha ninguém ali além dela mesma. Tinha sido uma visão,ilusão ou sonho e ao mesmo tempo não era nada. 
Levantou-se com o livro na mão e saiu andando.

Um comentário:

Beatriz Vieira disse...

Sempre me identifico com seus personagens amiga, você os descreve tão bem.

''Observava cada detalhe, cada carro, cada poça, cada folha presa ou caída no chão, cada som ou ruído feito por bichos, gente ou máquina.''

Ah, te indiquei a responder uma tag.
O link da tag é esse: http://www.certas-horas.com/2013/05/tag-respondendo-blogueira.html#comment-form
Espero que goste. Beijos ♥

Bia Vieira.